24 de outubro de 2010

No Cais de São Brás...


          Conta a lenda que em meados do século XVIII várias embarcações partiram do Cais de São Brás - México - buscando colonizar novos territórios. Entre os inúmeros tripulantes, estava um jovem marinheiro apaixonado por uma linda e sonhadora professora, para a qual prometeu casar-se após retornar da missão. A história final desse romance foi mais ou menos assim:

          Ela despediu-se do seu amor, ele partiu em um barco no Cais de São Brás. Ele jurou que voltaria e encharcada em lágrimas ela jurou que esperaria. Milhares de luas passaram e sempre ela estava no porto esperando-o. Muitas tardes se acabaram, se acabaram em seus cabelos e seus lábios.

          Usava o mesmo vestido e acreditando que ele voltasse, ela não iria se enganar. Os caranguejos a mordiam, suas roupas, sua tristeza e sua ilusão.  E o tempo se passou e seus olhos se encheram de amanheceres. E pelo mar se apaixonou, e seu corpo se enraizou no Cais.

          Seu cabelo embranqueceu, mas nenhum barco ao seu amor lhe devolvia.  E no povoado já diziam, lhe chamavam de "a louca do Cais de São Brás". E em uma tarde de Abril tentaram translada-la ao manicomio, mas ninguém pode arranca-la e do mar nunca, jamais a separaram.

          Sozinha, só no esquecimento. Sozinha, só com seu espírito. Sozinha, só com seu amor, o mar. Sozinha, no Cais de São Brás. E  ela ficou ali, sozinha até o fim.

(Adaptação da música: El Muelle de San Blás. Banda: Maná)

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