24 de junho de 2010

A hora da Estrela!

          Michael Jackson - 29/08/1958 à 25/06/2009 - A hora da Estrela, esse foi o título mais adequado para essa postagem. A hora da Estrela chegou para Michael, há exatamente um ano atrás, quando ele deixou o plano real para compor o espiritual, se tornando uma estrela na grande constelação divina.
          Essa expressão é muito usada para as crianças, quando dizemos que alguém não morreu, mas virou uma estrela, e elas, em toda sua ingenuidade e pureza acreditam, a ponto de dizer em um dia nublado "hoje ainda não vi minha mãe!".
          Michael sempre foi uma incógnita para todos nós. Enquanto o amavam, havia muito ódio por parte de outros. E era tudo assim na sua vida, os opostos sempre se confrontando. O que ninguém pode discordar é sobre o seu talento, que mesmo entre egocentrismos e loucuras, era singular. E mais, é difícil escrever sobre ele no passado, de tão presente que ainda é. Acho que Michael não morreu e nunca vai morrer! 
Michael Jackson era negro e queria ser branco (com sua cota ancestral de dor negra)
O que o vitimizou – como um estigma
Michael Jackson era pobre e queria ser rico (de posses infantis e desejos transversais)
O que o desconfigurou como um estorvo
Michael Jackson era homem e queria ser mulher (de alguma maneira que pudesse)
O que o adulterou - Narciso cego, Édipo manco
Michael Jackson queria ser judeu (mas era um Peter-Pan enjaulado em cantagonias)
O que o marcou como ser na identificação de.
Michael Jackson como um não-Ser num não-lugar
Cantava dançava compunha dirigia criava voava
Um quase preto homem-menina com desvios íntimos
Com fox-trot nos pés e nos quadris portentosos
E uma alma sempre criança mal-amadurecida
Na ultrajada inocência para fins midiáticos e lucrativos
Fugiu-se na música – as ousadas canções
Tinha ritmo frenético – em viagens sonoras
Sobreviveu feito ermitão – urbano entre brinquedos
O pop do alto ao chão – paranóia na vida-livro
Muito além dos píncaros da glória efêmera...
Agora não tem cor – Não há cor na morte
Agora não tem posses – Nada levamos daqui
Agora não tem sexo – A terra há de comer
Agora não tem vitiligo: pergunte ao pó.
(Silas Corrêa Leite)

          Em minhas memórias, é esse o Michael Jackson que sempre vejo:

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